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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Negra, com orgulho!

Barbie, a boneca mais famosa do mundo, foi lançada oficialmente no dia 9 de março de 1959. A boneca instituiu novos padrões de beleza: cintura fina, seios grandes, loira de olhos azuis. Pressionada por diversas entidades, entre elas as de africanos e afro-descendentes, foi criada a primeira boneca negra, Christie em 1969. Porém, nunca fugiu do padrão da cintura fina, criando, um novo perfil estético mundial, o qual até hoje se estabelece na vida de todas as mulheres que, desde criança, já se espelham na nova ordem de beleza. 
Foi nessa mesma data, 9 de março de 1969, que dona Arlinda Rosa Pereira deu à luz a uma menina completamente oposta às características físicas da Barbie. Ao contrário da loira de cabelos longos e lisos, olhos azuis, pele clara, Lorena Celi Pereira leva consigo os traços de uma afro-descendente, cabelos crespos, olhos negros e a pele escura. Na época, Arlinda não tinha onde deixar a filha ainda criança Foi, então que começou a levá-la junto ao trabalho: era doméstica na casa de uma família muito rica. Lorena cresceu com o sonho de ter uma boneca Barbie, pois as filhas da dona da casa, onde Arlinda trabalhava, nunca deixaram Lorena brincar  com a Barbie.
Aos 15 anos, Lorena teve de parar de estudar, pois sua mãe estava muito doente e sem condições de trabalhar. Assim, foi em busca de um emprego. Tornou-se passadora de cola em uma grande exportadora de calçados. Passaram-se mais de 12 anos e continuava no mesmo emprego. Um dia, seu chefe deu-lhe uma grande notícia: com seu desempenho, não seria mais passadora de cola, mas sim secretária da presidência da exportadora, ganhando mais do que o dobro. Muito contente, foi correndo contar para sua mãe  que a esperava com um presente. Foi, então que após 15 anos, ganhou sua sonhada Barbie. Como secretária da exportadora, Lorena lidava com pessoas da alta sociedade e foi assim que conheceu seu atual marido, um empresário muito importante.
A cultura afrodescendente sempre foi muito criticada por seus rituais e costumes. Entretanto, é mantida na maioria das famílias de origem negra, pois preservam seus costumes e, acima de tudo, valorizam a arte e a natureza. E assim, Lorena acredita que seu papel é passar tudo isso para a sociedade gaúcha... "Minha vida, depois de 47 anos de muita luta e sofrimento, hoje são recompensados ao olhar nos olhsos de cada criança carente", diz ela. Lorena tem o orgulho de poder lhes dar o que não teve. Por isso, Lorena é um exemplo de cidadã que fez, e continua fazendo, a diferença na sociedade gaúcha.

Autora: Gicélia Almeida Bitencourt, Victória Triay

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Escritor Dario de Bittencourt - Uma eminência duplamente parda no RS

Historia de vida - I
O Escritor, advogado e foi um “pardo que sempre prestigiou as organizações dos pardos” na cidade de Porto Alegre. Nas primeiras décadas do século XX, foi um dos responsáveis pela manutenção do jornal O Exemplo, fez parte dos quadros sociais do clube Floresta Aurora e advogou em defesa das causas da comunidade negra da capital.
A expressão eminência duplamente parda, teria sido uma alusão bem humorada feita por Dario de Bittencourt sobre o seu avô Aurélio Viríssimo de Bittencourt. Ele fazia referência mais do que à cor parda de Viríssimo, a certa influência política e na forma de administrar que este exercera, como secretário particular, nas administrações de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros.
Ele monta um arrazoado cronológico sobre si que comprove não apenas os laços profissionais, mas principalmente, a sua origem familiar privilegiada e as relações intelectuais, étnicas, religiosas, políticas e afetivas que o ligaram a uma rede de pessoas. Algumas são pessoas humildes e desconhecidas e outras, na maioria das vezes, personagens importantes na vida intelectual e política do Estado e do país que dão relevância ao curriculum e perenidade ao nome do biografado.
A sua descrição perpassa por diploma de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, certificado de livre docente da Faculdade de Direito de Porto Alegre, decreto presidencial de Suplente do Conselho Regional do Trabalho da 4ª. Região, convite para ser imperador festeiro da Irmandade do Divino Espírito Santo, documentos que comprovam ter ocupado a chefia provincial dos integralistas no Estado, várias referências bibliográficas e hemerográficas que fazem referência à sua circulação intelectual, bem como, a de seu pai e avô.
Nos anos de 1911 e 1912, Dario estudou no Conceição, últimos anos em que o internato funcionou e onde ele obteve as melhores notas da turma em Português, nos sugerindo o resultado do contato aproximado com os livros e os ensinamentos do pai e familiares. Aurélio Júnior junto com seu irmão Sérgio e outros foram fundadores do jornal O Exemplo, em 1892, como se lê na primeira página, criado para a defesa de nossa classe e o aperfeiçoamento de nossos medíocres conhecimentos. A classe dos homens de cor ou pardos, já inseridos na sociedade, pois sabiam ler e escrever, o que era domínio de poucos, vinha à público com muita humildade, para serem vistos e copiados como modelos e exemplos de que era possível a ascensão social dos negros.
Nesse número, os dois representantes dos Bittencourt fazem parte da comissão de redação, responsáveis por receber e analisar as reclamações e as contribuições da parte literária do jornal. Ambos também assinam colunas, poesias e charadas no semanário. Dario se definiu como pardo que sempre prestigiou as organizações dos pardos11, fez parte do quadro social da Sociedade Beneficente Floresta Aurora, fundada
em 1872, participou do Conselho Superior da Liga Nacional de Futebol Porto-Alegrense, fundada em 1919, para congregar times formados com jogadores negros, foi sócio da Sociedade Satélite Porto Alegrense, de 1902, que hoje é conhecida como Satélite Prontidão e, finalmente, fez parte do Grêmio Náutico Marcílio Dias. A ampla circulação no meio negro da capital atesta a sua condição e opção, se é que se pode optar numa sociedade racista, por uma identidade étnico-racial subalterna e marginalizada. A sua auto-definição como pardo remetia à situação social e racial intermediária de uma elite negra que procurava ascender e inserir-se socialmente, não apenas em virtude da situação econômica e intelectual, mas sobretudo no sentido de se distinguir da maioria negra, ainda muito vinculada ao período anterior da escravidão.
Continua...

sábado, 17 de julho de 2010

Meu sonho!

História de Vida
A portoalegrense Sheron Menezes está fazendo sucesso no campeonato Dança dos Famosos do Domingão do Fastão. Entre um ensaio e outro, a atriz dedicou um tempinho para nos contar como está sendo esta experiência. A mãe dela, Veralindá Menezes, mais conhecida com Vera, também falou um pouco sobre a infância da atriz. Orgulhosa, a mãe conta que Sheron já brilhava antes mesmo de dar os primeiros passos: “Desde o nascimento, Sheron já é notícia. Ela nasceu no dia em que eu ia fazer um concurso público para auditora do tesouro nacional. Ganhei ela às duas da manhã e às duas da tarde estava fazendo a prova, lá mesmo no Hospital Presidente Vargas.” Vera esclarece que os fiscais do concurso levaram a prova até o hospital e o fato inusitado teve visibilidade nos jornais.
Aos 26 anos Sheron já tem uma longa trajetória como atriz. Participou das novelas Caras & Bocas, Duas Caras, Belíssima, Celebridade, Como uma Onda, Esperança e do curta metragem São João do Carneirinho. Fez uma participação especial no seriado Cidade dos Homens, dirigido por Fernando Meirelles e na apresentação do seriado gaúcho Fábulas Modernas, produzido pela RBS TV, além de peças de teatro. Mas a carreira da gaúcha começou na sua terra natal, como 1ª princesa do concurso Garota Verão, quando ela tinha apenas 15 anos. No mesmo ano, debutou no Lindóia Tênis Clube.

Sua mãe revela que quando criança, Sheron era sapeca, jogava futebol com os guris, subia em árvores, usava moleton largo e não era muito feminina. “Por isso resolvi colocá-la num curso de modelos”, explica Vera. Ela conta que a filha participou do casting das agências Haddar e Ford, e fez diversas oficinas, uma delas com Zé Adão Barbosa. No site da atriz, Sheron deixa claro que os estudos no TEPA – Teatro Escola de Porto Ategre, foram essenciais na construção da carreira. Hoje em dia ela faz Faculdade de Artes Cênicas do Rio de Janeiro. A mãe está contente com a fase da filha e se emociona: “quando eu vejo a Sheron dançar me arrepio”, as duas pensam em realizar algum projeto relacionado com a paixão da atriz: o ritmo de dança zouk. A irmã caçula, Schena, completa 15 anos em agosto e pretende seguir os passos de Sheron. Nestas férias de julho, está indo comemorar o aniversário em Bariloche, e vai realizar o sonho de fazer bonecos na neve. Um dos irmãos, Drayson também é ator e mora com a irmã no Rio de Janeiro, e o outro irmão, Draiton, é estudante de Sistemas de Informação na PUCRS.


A vida na Capital
A família Menezes morou durante um bom tempo no Bairro Cristo Redentor. Sheron estudou até a oitava série no Colégio São Judas. Depois, a família mudou-se para o Bairro Jardim Sabará e atriz concluiu o Ensino Médio no Colégio Dom Bosco. Aos 18 anos assinou contrato com a TV Globo e foi morar no Rio de Janeiro.
Veralindá, conta que quando Sheron vem visitar a família gosta de matar a saudade dos lugares que ela costumava frequentar no tempo em que morava na Capital. “A gente vai no Shopping Lindoia, passeamos no Shopping Iguatemi, e fazemos lanches rápidos na Petiskeira. Vamos também ao Gasômetro, ao Parcão e à Redenção”, lista a mãe de Sheron. Ela complementa que a atriz mantém as mesmas amizades da época de colégio, e com os amigos gosta de sair à noite para a Rua Padre Chagas.
Os almoços de família ocorrem na Galeteria Sbardelotto: “ O pessoal de lá conhece a Sheron, sempre chegamos e é uma festa!”, anima-se Vera. Nas compras que faz na Capital, geralmente estão lembranças e presentes, como velas artesanais. Quando guria, era a mãe quem escolhia as suas roupas “ A Sheron usava roupas básicas da Tok, Canal Sul, o que a Schena veste hoje”.

Conto de Fadas

          
Sheron é a inspiração literária de sua mãe, o livro infantil Princesa Violeta (editora Príncipes Negros, R$ 24,90), foi lançado na Feira do Livro de Porto Alegre no ano passado. “Como a Sheron sonhava em interpretar uma princesa negra, eu resolvi escrever esta história. O engraçado é que acabei antecipando a Disney, que meses depois começou a promover o filme A Princesa e o Sapo, que conta a história de uma princesa negra”, diverte-se a autora.
Há pouco, Veralindá publicou o seu segundo livro infantil Lillinda em… Minha amiga Rosinha (editora Príncipes Negros, R$ 20), este inspirado nas vivências da caçula, Schena.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

João Cândido, militar brasileiro, líder da Revolta da Chibata

Nascido em Rio Pardo no Rio Grande do Sul, em 24 de junho de 1880 filho de ex-escravos, João Cândido entrou para a corporação em 1894, aos 14 anos — época em que as Forças Armadas aceitavam menores e a Marinha, em particular, recrutava-os junto à polícia. Este não foi o caso de João Cândido. Recomendado por um almirante, que se tornara seu protetor, logo desponta como líder e interlocutor dos marujos junto aos oficiais.
Em 1910, uma viagem de instrução à Inglaterra alicerça, entre os marinheiros brasileiros, as bases para o levante conspiratório que poria fim ao uso de castigos físicos na Marinha. Durante a viagem inaugural do Minas Gerais, João Cândido e companheiros tomam ciência do movimento pela melhoria das condições de trabalho levado a cabo pelos marinheiros britânicos entre 1903 e 1906. E, ainda, da insurreição dos russos embarcados no encouraçado Potemkin, em 1905.
De volta ao Brasil, o estalo das chibatas não cessa, e os soldos baixos — contrastando com o status de maior frota náutica do mundo, superior até mesmo à inglesa — acirra o clima de tensão entre os marujos.
Até que em 22 de novembro de 1910, a lembrança das 250 chibatadas recebidas por um marinheiro, no dia anterior, deflagra o início da revolta. Durante quatro dias, marinheiros liderados por João Cândido (figura central da tomada dos navios, das negociações e, é claro, do ódio da Marinha Brasileira e do Governo Brasileiro) e entrincheirados nos navios São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Deodoro — ancorados ao longo da baía da Guanabara — lançam bombas na cidade.ao toque de recolher, o ataque estava pronto. Os marinheiros estavam dispostos a dar um fim à violência e humilhação que marcava as suas costas com o couro das chibatas. Como sentenciou João Cândido, o Almirante Negro, "Naquela noite o clarim não pediria silêncio e sim combate". A estrutura da sociedade brasileira na República Velha reflectia o quanto ainda eram perenes as marcas de mais de 300 anos de escravidão. Uma sociedade, que, poderíamos afirmar, era erigida sobre as bases da violência
e da hierarquização social, identificando na população negra, claramente, o labéu da antiga condição de escravos, que ao sair das senzalas não tiveram melhor sorte. Foram jogados nas cidades para desempenhar as piores actividades existentes, recebendo praticamente nada e trabalhando em condições aviltantes.
Na Marinha Brasileira, a situação não era diferente. Estima-se que cerca de 80% da "maruja" era constituída por negros e mulatos. Em contrapartida, a oficialidade era formada por filhos de antigos senhores de escravos. Em muito pouco mudava, efectivamente, o antagonismo entre a casa grande e a senzala, apenas posto naquele momento em outros termos. A "maruja" não era melhor tratada do que seus pais ou avós, sendo que em geral eram filhos de ex-escravos. Recebiam um soldo miserável, alimentavam-se com uma comida detestável, quando não estragada e, o pior, eram castigados com chibatadas, amarrados pelos pés e pelas mãos, em cerimoniais bárbaros, de "castigos exemplares". O regulamento da "Companhia Correcional", como salienta Mário Maestri em "Cisne Negro: Uma História da Revolta da Chibata"(Ed. Moderna, 2000), permitia, 22 anos após a abolição da escravatura, a punição física pela chibata.

João Candido sendo preso

Finda a revolta por um lado, ao menos parte das reivindicações dos amotinados foi atendida, em relação a comida nas embarcações e ao fim das chibatadas, os seus principais líderes foram traídos e a maioria dos participantes foram mortos. Dezoito dos principais líderes dos marinheiros envolvidos na ação foram jogados numa solitária do Batalhão Naval, na Ilha das Cobras. Antes de encarcerá-los, o pequeno catre que os receberia é "desinfectado", jogado-se baldes de água com cal. Nos quentes dias de Dezembro, a água evapora e o cal começa a penetrar nos pulmões dos prisioneiros. Sob os gritos lancinantes de dor, as ordens são claras: a porta deve permanecer trancafiada. É aberta, ao que se sabe, apenas no dia 26 de Dezembro. Naquela sala de horrores, dos dezoito marinheiros ali trancafiados, dezesseis estão mortos, alguns já podres. João Cândido sobrevive. Apenas ele e um outro marinheiro saem vivos, ainda que muito mal, daquele desafio infernal.
Todavia, os 59 anos de vida que teria pela frente após estes momentos de glória e de terror seriam árduos. Banido da Marinha, com uma tuberculose que o acompanhou durante os seus oitenta e nove anos de vida, teve de lutar muito pela sobrevivência. Trabalhou fazendo bicos em navios de carga, que logo tratavam de despedi-lo se descobriam quem era. Ganhou por muito tempo a vida na estiva, descarregando peixes na Praça XV, no Rio de Janeiro. Mesmo velho, pobre e doente, permaneceu sempre sob as vistas da Polícia e do Exército, por ser considerado um "subversivo" e perigoso "agitador".
"Nós queríamos combater os maus-tratos, a má alimentação (...) E acabar com a chibata, o caso era só este" — declarou João Cândido, em 1968, em depoimento ao Museu de Imagem e do Som.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Antônio Vasconcellos Marques, precursor na promoção de politicas Públicas do RS


Gerações mais novas de Rio Grande não devem lembrar, tampouco devem ter ouvido falar do advogado Antônio Vasconcellos Marques. Falecido em 1988, aos 82 anos de idade, Antônio Vasconcellos Marques. Negro, gaúcho, um lutador em favor da igualdade racial e da valorização da população negra de Rio Grande. Nascido na cidade do Rio Grande, RS, no dia 5 de setembro de 1907, Antônio Vasconcellos Marques não conheceu seus pais. Foi criado por sua madrinha, dona Albertina, uma senhora pobre e já idosa. Estava iniciada ali uma caminhada de luta e de um final feliz e exitoso. 
O crescimento intelectual aflorou e o "seu Marques" ingressou na Alfândega de Rio Grande inicialmente como marinheiro. Galgando outros tantos postos, ele então passou a ocupar cargos de destaque no órgão público federal. A partir daí, ele teve nova visão e enxergou outros jovens, igualmente sem instrução, dominados pelas dificuldades do não saber e sem condições de conquistar oportunidades momentâneas ou futuras. Então foi empreendedor. Resolveu restituir-lhes a auto-estima e a cidadania. Convidou amigos, alugou salas, implantou ensino gratuito, assumiu todas as responsabilidades financeiras e materiais do empreendimento e durante 10 anos lecionou, cotidianamente, no turno da noite. Assim estava formalizada a Escola Marcílio Dias, cujo nome homenageava a bravura do marinheiro negro da nossa história. Constituiu-se na primeira escola noturna para adultos na cidade do Rio Grande. Mais tarde, com o apoio de amigos, conseguiu realizar o sonho do prédio próprio para a escola a qual hoje integra a rede estadual de ensino. Paralelamente a participação escolar, dedicou-se as sociedades recreativas locais que congregavam pessoas da raça negra, influenciando-as e induzindo-as para novas conquistas, qual seja o desenvolvimento cultural da juventude. Estas ações tiveram a finalidade de, mediante a participação dos jovens, dar sustentação e continuidade a estas sociedades. Os movimentos culturais se entrelaçaram ao dia-a-dia e orientaram as atividades da juventude negra da cidade do Rio Grande. Implantava-se uma mudança, um novo comportamento social. O batalhador Antônio Vasconcellos Marques tornou-se eminente orador. Passou a integrar os mais diferentes movimentos políticos, esportivos, sociais e políticos de Rio Grande, também de Pelotas e outras cidades do sul gaúcho.
Ingressou na Universidade Federal de Pelotas para cursar Direito. Objetivava dar continuidade aos seus princípios e a realização de um sonho. Aos 56 anos de idade, foi diplomado, transformando assim o seu sonho em realidade. Foi a maior vitória do Dr. Antônio Vasconcellos Marques, o Dr. Marques como era chamado por todos na cidade. Anos após, transferiu-se para Porto Alegre, onde residiu até o seu falecimento.
Para a família e amigos, a figura de Antônio Vasconcellos Marques é sempre lembrada como exemplo de superação. Para a especialista em Educação e integrante do Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais, filial Rio Grande do Sul, Franquilina Marques Cardoso, a figura de seu pai foi uma figura marcante. Um dos episódios que mais marcou foi a sua formatura, a qual ele dizia ter voltado a estudar para mostrar a seus filhos e a toda a comunidade negra que a liberdade só vem através dos livros e também sua atuação como presidente da Sociedade Recreativa Cultural Estrela do Oriente, em Rio Grande. O clube não existe mais, mas foi um marco na vida social da cidade. Um clube onde, segundo ela, seu pai pregava cidadania e valorização do cidadão negro. Um dos eventos que o clube fazia, e que vale ser lembrado, conta Franquilina, era o baile dos formandos. O evento comemorava a formatura de todos, não só nos cursos superiores, mas também no ginásio e no científico. Era sim a comemoração da conquista e da luta dos negros em favor do estudo.
Contar esta história vale a pena e emociona a todos nós, . É sim uma personalidade negra não só para mim, mas para toda uma geração que trabalha, sonha e batalha por um Brasil igual, um Brasil plural e um Brasil vivo, onde todos tem voz, vez e sua cultura e história respeitados.